Luxação de Patela
Por Equipe VetVida Ortho
Você está passeando com seu cão e, de repente, ele levanta uma das patas traseiras por alguns passos. Logo depois volta a andar como se nada tivesse acontecido. Muitos tutores acham graça nesse pulinho. Outros acreditam que é só um jeito de andar.
Mas esse movimento pode ser o sinal de que a patela, um pequeno osso do joelho, saiu do lugar.
O que é a patela
A patela fica na frente do joelho e desliza dentro de um sulco do fêmur, chamado tróclea, sempre que o animal dobra e estica a perna. Ela funciona como uma roldana: ajuda os músculos a transmitir força com eficiência e protege a articulação.
Quando esse sulco é raso ou quando os ossos e músculos da perna não estão bem alinhados, a patela pode escapar para o lado. É isso que chamamos de luxação de patela.
Quem costuma ser afetado
A luxação de patela é uma das alterações ortopédicas mais comuns em cães, especialmente nas raças pequenas e miniaturas, como Spitz Alemão, Yorkshire, Poodle, Chihuahua e Shih Tzu. Na maioria dos casos, a patela escapa para a parte interna do joelho, a chamada luxação medial.
Cães de porte médio e grande também podem apresentar o problema, assim como os gatos, embora com menos frequência. Em geral, a origem está no desenvolvimento do animal, mas a luxação também pode surgir depois de um trauma.
Sinais que merecem atenção
• Pulinhos ou passos dados com uma pata traseira suspensa.
• Mancar de forma intermitente, que vai e volta.
• Esticar a perna para trás, como se tentasse encaixar algo.
• Dificuldade para subir escadas, no sofá ou na cama.
• Pernas traseiras arqueadas ou postura agachada, nos casos mais avançados.
• Menos disposição para brincar e passear.
Nem todo animal sente dor o tempo todo. Por isso, muitos tutores convivem com os sinais por meses sem imaginar que existe uma alteração no joelho.
Os graus da luxação
Na avaliação ortopédica, a luxação é classificada em quatro graus:
• Grau I: a patela pode ser deslocada durante o exame, mas volta sozinha ao lugar.
• Grau II: a patela sai do lugar com os movimentos do dia a dia e pode voltar sozinha ou com uma manobra.
• Grau III: a patela permanece fora do lugar na maior parte do tempo, mas ainda pode ser recolocada manualmente.
• Grau IV: a patela fica fora do lugar de forma permanente e não pode ser recolocada.
O grau ajuda a orientar o tratamento, mas não é o único critério. A idade, o peso, a rotina, os sinais clínicos e outras alterações no joelho também entram na decisão.
Por que não devemos esperar
Cada vez que a patela sai do lugar, a cartilagem do joelho sofre um pequeno desgaste. Com o tempo, esse atrito pode favorecer a osteoartrite. Além disso, o joelho desalinhado fica mais vulnerável a outras lesões, como a ruptura do ligamento cruzado cranial.
Por isso, o diagnóstico precoce faz tanta diferença: ele permite escolher o melhor caminho enquanto a articulação ainda está preservada.
Como é feito o tratamento
O tratamento é sempre individualizado e definido depois da avaliação ortopédica e dos exames de imagem.
Nos casos leves e sem sinais importantes, o acompanhamento pode envolver controle de peso, fortalecimento muscular, ajustes no ambiente e reabilitação, com reavaliações periódicas.
Quando a luxação causa dor, limitação ou tende a progredir, a cirurgia pode ser indicada. O objetivo é realinhar o mecanismo do joelho e aprofundar o sulco onde a patela desliza, para que ela volte a trabalhar no lugar certo.
Depois da cirurgia, a recuperação continua em casa. Repouso orientado, medicação no horário, retornos e reabilitação são tão importantes quanto o procedimento. É nessa fase que a parceria entre o tutor e a equipe veterinária faz toda a diferença.
Cuidados que ajudam no dia a dia
• Manter o peso adequado, para aliviar a carga sobre as articulações.
• Usar tapetes ou pisos antiderrapantes nos ambientes em que o animal circula.
• Oferecer rampas ou degraus para o sofá e a cama.
• Evitar saltos repetidos e brincadeiras de impacto.
• Manter atividade física regular e adequada, que fortalece a musculatura.
Um olhar atento faz diferença
O pulinho que parece inofensivo pode ser o primeiro aviso de um joelho que perdeu o compasso. Observar, perguntar e buscar avaliação é um gesto de cuidado.
Se você percebeu algum desses sinais no seu cão ou gato, procure um médico-veterinário para uma avaliação ortopédica. Na VetVida Ortho, acompanhamos cada paciente com conhecimento, atenção ao movimento e cuidado com toda a família.
Dra. Patrícia de Carvalho Mendonça Médica-veterinária | CRMV-MG 10253 VetVida Ortho | Conhecimento. Movimento. Cuidado.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta com um médico-veterinário.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com o médico-veterinário. Notou algum desses sinais? Agende uma avaliação ortopédica.
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